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sábado, 25 de agosto de 2012

A IMPORTÂNCIA DO LÚDICO NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM

FICHAMENTOS

 
LEON, Adriana Duarte. Reafirmando o lúdico como estratégia de superação das dificuldades de aprendizagem. Revista Ibero-americana de Educação, v. 56, n. 3., out., 2010

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Atualmente, o conceito de dificuldade de aprendizagem popularizou-se e comumente encontramos crianças estigmatizadas por sua aplicação. As dificuldades de aprendizagem estão diretamente relacionadas ao não-aprender, porém o não-aprender pode ser uma situação passageira e não deve ser entendido como uma limitação permanente.
A aprendizagem é um processo amplo que envolve diversos fatores relacionados ao sujeito e às relações deste com o meio. O não-aprender deve ser analisado de forma ampla, buscando compreender o contexto em que o sujeito está inserido, bem como a situação em que se explicitou a dificuldade de aprendizagem.

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No momento em que a criança apresenta dificuldade no desenvolvimento da aprendizagem, deve ser encaminhado o mais breve possível para o atendimento especializado. Então, inicia-se uma investigação em torno do aprendizado, busca-se entender o que está ocorrendo com aquela criança, por
que ela não aprende.

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O ambiente escolar e principalmente a sala de aula, em muitos casos, não dá conta de atender as diversas individualidades contidas num grupo e aquele que não acompanha o desenvolvimento da maioria por vezes pode ficar para trás.

A aprendizagem se dá através dos processos de socialização. No caso dos seres humanos, a aprendizagem se dá em grupos; tais grupos estimulam, estabelecem e pactuam posturas adequadas e aceitas socialmente.

O não aprendizado na escola é a principal causa do fracasso escolar, embora evasão escolar, trabalho infantil, condições socioeconômicas estejam envolvidos. É o não-aprender que rotula o sujeito como intelectualmente limitado.

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Para que a aprendizagem ocorra aproveitando os saberes de cada um, é necessário um olhar específico que perceba os limites e as possibilidades de cada sujeito aprendente. Certamente, alguns sujeitos acompanham com facilidade os conteúdos desenvolvidos no ambiente escolar, e para estes é necessário um estímulo extra que possibilite ir mais adiante, bem como precisamos de um estímulo extra para aqueles que apresentam dificuldades de aprendizagem. A escola, muitas vezes, trabalha com uma lógica truncada, pois não consegue atender a demanda existente no que se refere à individualidade.

As causas do fracasso escolar estão relacionadas a diversos fatores, dentre eles, a escola, os professores e a família têm sua parcela de culpa, pois não conseguem estabelecer uma relação harmônica com diálogo, solidariedade e construção de conhecimento.

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O lúdico faz parte do universo infantil. A criança, quando entra para a escola, brinca e, vagarosamente, vai abandonando o brincar para assumir uma postura mais rígida que combine com o espaço escolar. Embora várias pesquisas apontem o lúdico como suporte para a aprendizagem, o que se percebe nas práticas escolares é a sua não utilização como recurso didático.

O jogo propicia o desenvolvimento cognitivo através do envolvimento dos sujeitos aprendentes. O processo de aprendizagem torna-se prazeroso, dinâmico e ocorre na troca com o outro. [...] O jogo é a porta de acesso ao saber, pois o conhecimento é uma construção pessoal que se relaciona ao fazer e o jogo propicia essa construção.

A criança saudável brinca e, dessa forma, ela se relaciona com o mundo adulto, faz parte do seu processo de desenvolvimento e faz parte do processo de construção de suas aprendizagens. As situações de brincadeira permitem que a criança reproduza esquemas do cotidiano e organize suas projeções. Por isso, é importante que a criança experimente nas brincadeiras os diversos papéis possíveis do mundo adulto, para que posteriormente estabeleça com maior segurança as suas opções.

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O brincar, o jogo ou a brincadeira se estabelecem de forma diferente de acordo com a idade cronológica da criança. Primeiro ela brinca com o seu próprio corpo, depois com objeto do exterior (brinquedos e coisas de forma geral) e, passando essas duas fases, a criança se interessa pelos jogos com regras cada vez mais elaboradas. Neste momento, é fundamental o auxilio do adulto para ajudar na organização da criança e potencializar o seu desenvolvimento.

Sendo a atenção requisito fundamental para desenvolver a aprendizagem e necessário para pensar e estabelecer estratégias que estimulem o estar atento. O jogo pressupõe atenção, alguns de forma bem mais centrada, como, por exemplo: o xadrez e a paciência, outros de forma mais dinâmica, como o futebol e o basquete.

O desenvolvimento cognitivo dá-se de forma lenta e gradativa, já que o sujeito aprendente formula vagarosamente hipóteses de acordo com as suas possibilidades e conhecimentos. A base do processo de aprendizagem é a formulação de hipóteses sobre o objeto a ser aprendido. Esse é o processo de aquisição da aprendizagem no ambiente infantil e adulto.

No que se refere ao desenvolvimento cognitivo da criança, percebe-se o empenho da sociedade em estabelecer bases comuns para todos. Tais princípios gerais atendem a necessidade do bem-estar social, ou seja, para vivermos em sociedade, precisamos de algumas regras em comum. A criança, ao ingressar no ambiente escolar, é estimulada a se apropriar também dessas convenções sociais.

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A falta de atenção ou a incapacidade de concentrar-se por mais tempo em determinada situação é uma queixa muito comum da atualidade. Os problemas relacionados à aprendizagem estão presentes em escolas e clínicas particulares. Cada vez é mais frequente o diagnóstico de TDA (transtorno de déficit de atenção), o qual apresenta como sintoma o baixo rendimento escolar, consequência dos limites relacionados à concentração.

O lúdico é um mecanismo estratégico de desenvolvimento da aprendizagem, pois propicia o envolvimento do sujeito aprendente e possibilita a apropriação significativa do conhecimento. Percebe-se que embora as brincadeiras façam parte do cotidiano infantil, elas não fazem parte obrigatoriamente do cotidiano escolar.

DALLABONA, Sandra Regina; MENDES, Sueli Maria Schmitt. O lúdico na educação infantil: Jogar, brincar, uma forma de educar. Revista do ICPG - Instituto Catarinense de Pós-Graduação, v. 12, n. 2, p. 1-13, out., 2006. Disponível in: www.icpg.com.br. Acesso: 8 ago 2012.

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A infância é a idade das brincadeiras. Acreditamos que por meio delas a criança satisfaz, em grande parte, seus interesses, necessidades e desejos particulares, sendo um meio privilegiado de inserção na realidade, pois expressa a maneira como a criança reflete, ordena, desorganiza, destrói e reconstrói o mundo.  Destacamos o lúdico como uma das maneiras mais eficazes de envolver o aluno nas atividades, pois a brincadeira é algo inerente na criança, é sua forma de trabalhar, refletir e descobrir o mundo que a cerca.

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O lúdico na educação infantil, tem por objetivo oportunizar ao educador a compreensão do significado e da importância das atividades lúdicas na educação infantil, procurando provocá-lo, para que insira  o brincar em seus projetos educativos, tendo intencionalidade, objetivos e consciência clara  de sua ação em relação ao desenvolvimento e à aprendizagem infantil.

[...] é de primordial importância a utilização das brincadeiras e dos jogos no processo pedagógico, pois os conteúdos podem ser ensinados por intermédio de atividades predominantemente lúdicas.

O lúdico permite um desenvolvimento global e uma visão de mundo mais real. Por meio das descobertas e da criatividade, a criança pode se expressar, analisar, criticar e transformar a realidade. Se bem aplicada e compreendida, a educação lúdica poderá contribuir para a melhoria do ensino, quer na qualificação ou formação crítica do educando, quer para redefinir valores e para melhorar o relacionamento das pessoas na sociedade.

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O jogo é uma atividade de ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, seguindo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentido de tensão, de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida cotidiana.

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A criança brinca porque brincar é uma necessidade básica, assim como a nutrição, a saúde, a habitação e a educação são vitais para o desenvolvimento do potencial infantil. Para manter o equilíbrio com o mundo, a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar. Estas atividades lúdicas tornam-se mais significativas à medida que se desenvolve, inventando, reinventando e construindo.

Brincando, o sujeito aumenta sua independência, estimula sua sensibilidade visual e auditiva, valoriza sua cultura popular, desenvolve habilidades motoras, exercita sua imaginação, sua criatividade, socializa-se, interage, reequilibra-se, recicla suas emoções, sua necessidade de conhecer e reinventar e, assim, constrói seus conhecimentos.

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Compreender, conhecer e reconhecer o jeito particular das crianças serem e estarem no mundo deve ser o grande desafio da educação infantil. Embora os conhecimentos derivados da psicologia, antropologia e sociologia possam ser de grande valia para desvelar o universo infantil apontando algumas características comuns de ser, elas permanecem únicas em suas individualidades e diferenças.

A capacidade de brincar possibilita às crianças um espaço para resolução dos problemas que as rodeiam. A literatura especializada no crescimento e no desenvolvimento infantil considera que o ato de brincar é mais que a simples satisfação de desejos. O brincar é o fazer em si, um fazer que requer tempo e espaço próprios; um fazer que se constitui de experiências culturais, que são universais, e próprio da saúde porque facilita o crescimento, conduz aos relacionamentos grupais, podendo ser uma forma de comunicação consigo mesmo e com os outros.

 A criança, por meio da brincadeira, reproduz o discurso externo e o internaliza, construindo seu próprio pensamento. Por meio das atividades lúdicas, a criança reproduz muitas situações vividas em seu cotidiano, as quais, pela imaginação e pelo faz-de-conta, são reelaboradas. Esta representação do cotidiano se dá por meio da combinação entre experiências passadas e novas possibilidades de interpretações e reproduções do real, de acordo com suas afeições, necessidades, desejos e paixões. Estas ações são fundamentais para a atividade criadora do homem.

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Brincar é sinônimo de aprender, pois o brincar e o jogar geram um espaço para pensar, sendo que a criança avança no raciocínio, desenvolve o pensamento, estabelece contatos sociais, compreende o meio, satisfaz desejos, desenvolve habilidades, conhecimentos e criatividade. As interações que o brincar e o jogo oportunizam favorecem a superação do egocentrismo, desenvolvendo a solidariedade e a empatia, e introduzem, especialmente no compartilhamento de jogos e brinquedos, novos sentidos para a posse e o consumo.

A educação traz muitos desafios aos que nela trabalham e aos que se dedicam a sua causa. Muito já se pesquisou, escreveu e discutiu sobre a educação, mas o tema é sempre atual e indispensável, pois seu foco principal é o ser humano. Então, pensar em educação é pensar no ser humano, em sua totalidade, em seu corpo, em seu meio ambiente, nas suas preferências, nos seus gostos, nos seus prazeres, enfim, em suas relações vivenciadas.

A maioria das escolas de hoje está preparando seus alunos para um mundo que já não existe. Ações como dar aulas deverão ser substituídas por orientar a aprendizagem do aluno na construção do seu próprio conhecer, como preconiza o construtivismo, o sociointeracionismo, porque, afinal, ou aluno e professor estão mobilizados e engajados no processo, ou não há ensino possível. 

Na realidade, no contexto atual, já não há mais espaço para o professor informador e para o aluno ouvinte. Há muito chegou o tempo da convivência com a autoaprendizagem, expressão autêntica da construção do conhecimento que força o professor a tornar-se um agilizador do processo ensino-aprendizagem, e o aluno, um verdadeiro pesquisador.

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Aprender a pensar sobre diferentes assuntos é muito mais importante do que memorizar fatos e dados a respeito dos assuntos. A própria criança nos aponta o caminho no momento em que não utiliza nem precisa utilizar as energias vãs despendidas pela escola, sacrificadas e coroadas pelo descrédito, porque desprepara seus alunos.

Entende-se que educar ludicamente não é jogar lições empacotadas para o educando consumir passivamente. Educar é um ato consciente e planejado, é tornar o indivíduo consciente, engajado e feliz no mundo. É seduzir os seres humanos para o prazer de conhecer.

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É resgatar o verdadeiro sentido da palavra “escola”, local de alegria, prazer intelectual, satisfação e desenvolvimento. Para atingir esse fim, é preciso que os educadores repensem o conteúdo e a sua prática pedagógica, substituindo a rigidez e a passividade pela vida, pela alegria, pelo entusiasmo de aprender, pela maneira de ver, pensar, compreender e reconstruir o conhecimento.

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O jogo e a brincadeira são experiências vivenciais prazerosas. Assim também a experiência da aprendizagem tende a se constituir em um processo vivenciado prazerosamente. A escola, ao valorizar as atividades lúdicas, ajuda a criança a formar um bom conceito de mundo, em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade estimulada e os direitos da criança respeitados.
 
Enquanto a aprendizagem é vista como apropriação e internalização de signos e instrumentos num contexto sociointeracionista, o brincar é a apropriação ativa da realidade por meio da representação. Desta forma, brincar é análogo a aprender.

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[...] o trabalho a partir da ludicidade abre caminhos para envolver todos numa proposta interacionista, oportunizando o resgate de cada potencial. A partir daí, cada um pode desencadear estratégias lúdicas para dinamizar seu trabalho que, certamente, será mais produtivo, prazeroso e significativo [...].

É por intermédio da atividade lúdica que a criança se prepara para a vida, assimilando a cultura do meio em que vive, a ela se integrando, adaptando-se às condições que o mundo lhe oferece e aprendendo a competir, cooperar com seus semelhantes e conviver como um ser social. Além de proporcionar prazer e diversão, o jogo, o brinquedo e a brincadeira podem representar um desafio e provocar o pensamento reflexivo da criança. Assim, uma atitude lúdica efetivamente oferece aos alunos experiências concretas, necessárias e indispensáveis às abstrações e operações cognitivas.

Pode-se dizer que as atividades lúdicas, os jogos, permitem liberdade de ação, pulsão interior, naturalidade e, consequentemente, prazer que raramente são encontrados em outras atividades escolares. Por isso necessitam ser estudados por educadores para poderem utilizá-los pedagogicamente como uma alternativa a mais a serviço do desenvolvimento integral da criança.
 
O lúdico é essencial para uma escola que se proponha não somente ao sucesso pedagógico, mas também à formação do cidadão, porque a consequência imediata dessa ação educativa é a aprendizagem em todas as dimensões: social, cognitiva, relacional e pessoal.

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É competência da educação infantil proporcionar aos seus educandos um ambiente rico em atividades lúdicas, já que a maioria das crianças de hoje passam grande parte do seu tempo em instituições que atendem a crianças de 0 a 6 anos de idade, permitindo assim permitindo que elas vivam, sonhem, criem e aprendam a serem crianças. 

O lúdico proporciona um desenvolvimento sadio e harmonioso, sendo uma tendência instintiva da criança. Ao brincar, a criança aumenta a independência, estimula sua sensibilidade visual e auditiva, valoriza a cultura popular, desenvolve habilidades motoras, diminui a agressividade, exercita a imaginação e a criatividade, aprimora a inteligência emocional, aumenta a integração, promovendo, assim, o desenvolvimento sadio, o crescimento mental e a adaptação social.

As atividades lúdicas estão gravemente ameaçadas em nossa sociedade pelos interesses e ideologias de classes dominantes. Portanto, cabe à escola e a nós, educadores, recuperarmos a ludicidade infantil de nossos alunos, ajudando-os a encontrar um sentido para suas vidas. Ao brincar, não se aprendem somente conteúdos escolares; aprende-se algo sobre a vida e a constante peleja que nela travamos. 

É preciso que o professor assuma o papel de artífice de um currículo que privilegie as condições facilitadoras de aprendizagens que a ludicidade contém nos seus diversos domínios, afetivo, social, perceptivo-motor e cognitivo, retirando-a da clandestinidade e da subversão, explicitando-a corajosamente como meta da escola.

ROSA, Fabiane Vieira da; KRAVCHYCHYN, Helena; VIEIRA, Mauro Luis. Brinquedoteca: A valorização do lúdico no cotidiano infantil da pré-escola. Barbarói. Santa Cruz do Sul, n. 33, p.  8-27, ago./dez. 2010.

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A brincadeira é um comportamento presente em todas as culturas, cada qual com suas especificidades. Por meio da brincadeira a criança aprende comportamentos, constrói conhecimento, expressa emoções e sentimentos e significa para si a cultura em que está inserida.

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A cultura lúdica compreende esquemas de comportamento que permitem iniciar a brincadeira. Esses esquemas são em geral vagos e imprecisos; no entanto, permitem a organização da brincadeira. Os esquemas estão pautados na observação da complexa realidade social, na atividade de brincadeira, nos materiais disponíveis e na cultura. A cultura lúdica não existe como uma entidade, mas é produzida pelos sujeitos que participam da mesma, produto de interação social.

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A cultura lúdica possui tanto característica universal como individual. Embora alguns
comportamentos, tais como a brincadeira, possam estar presentes em todas as culturas, cada um é sujeito ativo na maneira de como irá significar esse e outros comportamentos no seu dia a dia. A criança é sujeito ativo ao construir a sua cultura lúdica brincando, significando para si a cultura no geral e também estabelecendo novas relações com o ambiente.

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[...] o prazer da brincadeira não é suficiente para definí-la. Ou seja, isso significa dizer que a diversão, ou prazer de brincar, é uma dimensão importante do fenômeno brincadeira, mas que, no entanto, não é a central. Para a criança, o prazer gerado pela brincadeira constitui-se como mais importante, mas para os estudiosos este não deve ser o ponto principal, mas a constituição de uma situação imaginária e das regras.

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[...] o brincar envolve aspectos cognitivos, afetivos e sociais. Contudo, além de entender o que é a brincadeira e como ela se estrutura, é necessário também compreender a funcionalidade desse comportamento para o indivíduo, principalmente durante as fases iniciais do desenvolvimento, onde ocorre com maior frequência e intensidade.

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[...] a brincadeira assume diversas funções para o desenvolvimento da criança. Pode-se afirmar que a função da brincadeira para a criança está em criar condições para o seu desenvolvimento integral (social, cognitivo, emocional, e psicomotor), partindo de objetos concretos, situações imaginárias e interações sociais, estabelecendo relações com o mundo e construindo conhecimento sobre ele e sobre si mesma.

A criança ao brincar não está simplesmente imitando os comportamentos dos adultos, está em um processo de significar para si as regras sociais e de comportar-se como se fosse adulto. Nesse sentido, a brincadeira tem duas dimensões importantes: uma que envolve situações imaginárias e outra as regras.

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Um dos principais atributos do brinquedo é o autocontrole. Por meio do brinquedo a criança aprende a lidar com os seus impulsos de agir espontaneamente e com as regras do brinquedo.

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O objetivo principal da brinquedoteca é proporcionar atividades lúdicas para as crianças que freqüentam a creche, desenvolver a cooperação entre elas, possibilitar um espaço para brincadeiras não dirigidas, espontâneas, além de transmitir a pais e professores conhecimentos sobre a importância do brincar para o desenvolvimento das crianças e produção de conhecimento científico sobre desenvolvimento infantil.

Para a creche, a brinquedoteca constitui-se em um local ímpar, sendo valorizado pelas professoras e pela direção, como visto em avaliação no final do semestre. É um local integrado com o restante da creche: professoras, direção, voluntárias, crianças, pais, sendo também um local de aprendizagem para todos os envolvidos.

Uma das características da brinquedoteca é oferecer mais opções de brinquedos do que aquelas oferecidas em sala de aula, visando resgatar a cultura lúdica tradicional. Para o funcionamento da brinquedoteca há duas monitoras, chamadas brinquedistas, cujo papel é mediar a relação da criança com o brinquedo.

QUEIROZ, Norma Lucia Neris de; MACIEL, Diva Albuquerque; BRANCO, Angela Uchôa. Brincadeira e desenvolvimento infantil: um olhar sociocultural construtivista. Paidéia, v. 16., n. 34, p. 169-179, 2006.

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A brincadeira permite à criança vivenciar o lúdico e descobrir-se a si mesma, apreender a realidade, tornando-se capaz de desenvolver seu potencial criativo. Nesta perspectiva, as que brincam aprendem a significar o pensamento dos parceiros por meio da metacognição, típica dos processos simbólicos que promovem o desenvolvimento da cognição e de dimensões que integram a condição humana.

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[...] a brincadeira está colocada como um dos princípios fundamentais, defendida como um direito, uma forma particular de expressão, pensamento, interação e comunicação entre as crianças. Assim, a brincadeira é cada vez mais entendida como atividade que, além de promover o desenvolvimento global das crianças, incentiva a interação entre os pares, a resolução construtiva de conflitos, a formação de um cidadão crítico e reflexivo.

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Como a criança é um ser em desenvolvimento, sua brincadeira vai se estruturando com base no que é capaz de fazer em cada momento. Isto é, ela aos seis meses e aos três anos de idade tem possibilidades diferentes de expressão, comunicação e relacionamento com o ambiente sociocultural no qual se encontra inserida. Ao longo do desenvolvimento, portanto, as crianças vão construindo novas e diferentes competências, no contexto das práticas sociais, que irão lhes permitir compreender e atuar de forma mais ampla no mundo.

A brincadeira das crianças evolui mais nos seis primeiros anos de vida do que em qualquer outra fase do desenvolvimento humano e neste período, se estrutura de forma bem diferente de como a compreenderam teóricos interessados na temática.

A partir da brincadeira, a criança constrói sua experiência de se relacionar com o mundo de maneira ativa, vivencia experiências de tomadas de decisões. Em um jogo qualquer, ela pode optar por brincar ou não, o que é característica importante da brincadeira, pois oportuniza o desenvolvimento da autonomia, criatividade e responsabilidade quanto a suas próprias ações.

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A importância do brincar para o desenvolvimento infantil reside no fato de esta atividade contribuir para a mudança na relação da criança com os objetos, pois estes perdem sua força determinadora na brincadeira.

Na brincadeira, a criança pode dar outros sentidos aos objetos e jogos, seja a partir de sua própria ação ou imaginação, seja na trama de relações que estabelece com os amigos com os quais produz novos sentidos e os compartilha.

A brincadeira é de fundamental importância para o desenvolvimento infantil na medida em que a criança pode transformar e produzir novos significados. Em situações dela bem pequena, bastante estimulada, é possível observar que rompe com a relação de subordinação ao objeto, atribuindo-lhe um novo significado, o que expressa seu caráter ativo, no curso de seu próprio desenvolvimento.

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[...] no espaço da sala de aula, a criança procura satisfazer seus desejos não realizáveis imediatamente envolvendo-se em um mundo imaginário, onde os não realizáveis podem ser concretizados; a este mundo é que se chama da brincadeira.

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É necessário olhar a brincadeira para além do conceito da atividade de brincar, e examinar o faz-de-conta, que tem despertado especial interesse de teóricos, pesquisadores e profissionais que atuam com a educação infantil.

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O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil estabeleceu a brincadeira como um de seus princípios norteadores, que a define como um direito da criança para desenvolver seu pensamento e capacidade de expressão, além de situá-la em sua cultura. Atividades de brincadeira na educação infantil são praticadas há muitos anos, entretanto, torna-se imprescindível que o professor distinga o que é brincadeira livre e o que é atividade pedagógica que envolve brincadeira. Se quiser fazer brincadeiras com a turma, deve considerar que o mais importante é o interesse da criança por ela; se seu objetivo for a aprendizagem de conceitos, habilidades motoras, pode trabalhar com atividades lúdicas, só que aí não está promovendo a brincadeira, mas atividades pedagógicas de natureza lúdica.

Quando é mantida a especificidade da brincadeira livre, têm-se elementos fundamentais que devem ser considerados: a incerteza, a ausência de consequência necessária e a tomada de decisão pela criança; ela emerge como possibilidade de experimentação, na qual o adulto propõe, mas não impõe, convida, mas não obriga, e mantém a liberdade dando alternativas. Caso contrário arrisca-se destruir o interesse da criança, tendo em vista que neste momento ela domina o espaço de experiência, mas o professor pode até interferir na brincadeira livre, desde que não utilize estratégia destrutiva do interesse dela.

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O professor também pode brincar com as crianças, principalmente se elas o convidarem, solicitando sua participação ou intervenção. Mas deve procurar ter o máximo de cuidado respeitando sua brincadeira e ritmo; sem dúvida, esta forma de intervenção é delicada, por ser difícil o adulto participar da brincadeira sem destruí-la; é preciso muita sensibilidade, habilidade e bom nível de observação para participar de forma positiva.

A chave desta intervenção é a observação das brincadeiras das crianças, pois é necessário respeitá-las: conhecê-las, sua cultura, como e com quê brincam, e quando seria interessante o adulto participar. Melhor, porém, é que não o faça e aproveite este momento para observar seus alunos, para conhecê-los melhor.

É também importante o professor desenvolver atividades dirigidas que envolvam brincadeiras, mas elas precisam ter seus temas relacionados para que haja contribuição para o desenvolvimento infantil; e elas atuando em conjunto podem, as duas serem enriquecidas.

Outra forma que o professor pode usar para enriquecer a brincadeira é propondo atividades que incentivem a curiosidade das crianças; por exemplo, a troca de cartas e bilhetes com os parceiros, leva à escrita e comunicação, sendo experiências que poderão ajudar a criança, mais adiante, a investir nestas habilidades no faz-de-conta.

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A brincadeira oferece às crianças uma ampla estrutura básica para mudanças das necessidades e tomada de consciência: ações na esfera imaginativa, criação das intenções voluntárias, formação de planos da vida real, motivações intrínsecas e oportunidade de interação com o outro, que, sem dúvida contribuirão para o seu desenvolvimento.

SENA, Sandra Satorato; AYRES DA SILVA, Jayme. Importância do lúdico na educação infantil: fundamentação teórica. Caderno Multidisciplinar de Pós-Graduação da UCP, Pitanga , v. 1, n. 1, p. 106-121, jan. 2010.

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O desenvolvimento infantil e a influência do lúdico neste aspecto constituem o tema gerador deste artigo, que foi elaborado para compreender melhor a criança na Educação Infantil e as fases pelas quais ela passa e como desenvolve sua aprendizagem, evidenciando que o lúdico é fator de extrema importância e grande influência no desenvolvimento infantil.

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O brinquedo é um objeto universal, ou seja, todas as crianças do mundo podem utilizá-lo a partir de sua imaginação. Brincando, a criança pode vivenciar uma mesma situação diversas vezes. Isso, além de permitir que ela repita brincadeiras que lhe dão prazer, possibilita que ela solucione problemas e aprenda processos e comportamentos adequados.

A brincadeira é a essência da infância e seu uso na Educação Infantil permite um trabalho pedagógico que possibilita a produção de conhecimento, da aprendizagem e do desenvolvimento.

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O lúdico é um típico divertimento da infância, é uma atividade natural da criança, que não implica em compromissos, planejamento e seriedade e que envolve comportamentos espontâneos e geradores de prazer. A atividade lúdica está diretamente relacionada com a pré-história de vida. É, antes de qualquer coisa, um estado de espírito e um saber que progressivamente vai se instalando na conduta do ser devido ao seu modo de vida.

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Existe uma grande discussão de vários pontos de vista sobre a brincadeira no espaço escolar. Muitos acham que a brincadeira só deve acontecer no horário de lazer da criança, pois se a brincadeira for oferecida durante as aulas, haverá um grande descontrole sobre as crianças por parte do professor. Outros, porém, afirmam que é através da brincadeira que a escola e sua equipe pedagógica conhecem melhor o aluno e prende sua atenção para o aprendizado.

O brincar relaciona-se com o prazer. Se brincar é prazer, aprender brincando será um prazer para a criança. Uma escola que integra o brincar ao processo de ensino e aprendizagem, está preocupada com a formação do todo do homem, ou seja, sua objetividade, sua autonomia, sua criatividade, suas funções sociais, o exercício da cidadania e a atuação na sociedade na qual está inserido.

Quando brinca, a criança desenvolve ações físicas, mentais, afetivas, violentas, de cooperação, de competição, entre outras. No início, são somente ações físicas, mas aos poucos vão se tornando mais complexas e evoluem para habilidades cognitivas, emocionais e sociais.

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O brinquedo infantil desperta a curiosidade da criança, exercita a inteligência, permite a invenção e a imaginação, possibilitando que a criança, aos poucos, descubra suas próprias capacidades de compreensão. Para que o brinquedo possa corresponder a todas essas expectativas, é necessário que tenha sentido experimental, tenha valor de estruturação, tenha condições de relacionamento e dê prazer à criança.

O brincar é o mundo da criança, é através dele que ela se manifesta. A criança pequena usa da brincadeira para imitar e assim experimentar suas relações com o mundo e com outras pessoas.

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Quanto mais a criança brinca, mais ela exibe a ampliação da coordenação dos papéis assumidos durante as brincadeiras ou ações conjuntas. Nas brincadeiras infantis a criança aprende gradativamente a supor o que as outras crianças podem estar pensando, para então procurar se inserir na fantasia e coordenar ativamente seus comportamentos e suas atitudes, combinando-as com o comportamento de seus colegas.

A brincadeira simbólica possui outra função muito importante para a criança pequena. Durante este tipo de brincadeira, a criança pode reviver situações que lhe causaram muita alegria e prazer ou alguma outra situação que lhe provocou ansiedade, raiva ou medo. Consequentemente, ao reviver estas situações de forma descontraída e descompromissada, a criança expressa e trabalha as emoções fortes ou difíceis de suportar.

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A brincadeira é, assim, um espaço de aprendizagem significativa para a criança. A finalidade de trabalhar o lúdico como possibilidade na Educação Infantil é importante
para que ela viva o presente com todos os seus direitos e é fundamental que o educador considere toda a riqueza da cultura lúdica infantil e todo o repertório corporal que a criança traz consigo para a escola.

Por intermédio do lúdico, a criança encontra o equilíbrio entre o real e o imaginário, incorporando valores, desenvolvendo-se culturalmente, assimilando novos conhecimentos e desenvolvendo a sociabilidade e a criatividade.

Brincando, a criança experimenta, descobre, inventa, aprende, confere habilidades, além de estimular a curiosidade, a autoconfiança e a autonomia; proporcionando ao mesmo tempo o desenvolvimento da linguagem, do pensamento e da concentração e atenção.

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Através dos jogos e brincadeiras, a criança aprimora também seu vocabulário, desenvolve sua expressão e seu pensamento, pois os momentos recreativos quase sempre propõem uma atividade a ser realizada. Atividade esta da qual o professor da Educação Infantil pode apropriar-se, utilizando o lúdico como mediador do processo de ensino e aprendizagem.

Através do jogo e da brincadeira, a criança libera e canaliza suas energias, tem o poder de transformar uma realidade difícil, propicia condições de fantasiar e é uma grande fonte de prazer. Além do mais, o lúdico ainda proporciona à criança toda a riqueza do aprender fazendo, espontaneamente, sem pressão ou medo de errar.

O desempenho psicomotor da criança enquanto brinca, alcança níveis que só mesmo a motivação intrínseca consegue. Ao mesmo tempo favorece a concentração, a atenção, o engajamento e a imaginação. Consequentemente a criança fica mais calma, relaxada e aprende a pensar, estimulando sua inteligência.

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Quando brinca, a criança aprende que ela pode se preparar para o futuro. Quando experimenta o mundo ao seu redor, adquire conhecimentos para tornar-se uma pessoa alegre, inteligente e criativa.

As situações e problemas contidas na manipulação dos jogos e brincadeiras fazem a criança crescer através da procura de soluções e de alternativas. A qualidade de oportunidades oferecidas à criança através de brincadeiras ou jogos garante que suas potencialidades e sua afetividade se harmonizem.

Outro aspecto importante ao qual o lúdico contribui no desenvolvimento da criança é o trabalho com a ansiedade. Quando a criança é muito ansiosa e não consegue se concentrar, sua aprendizagem fica prejudicada. Neste sentido o lúdico proporciona a criação de novos hábitos salutares, que são automaticamente incorporados à vida da criança, podendo, através da aquisição da capacidade de refletir suas ações e pensar nas suas decisões, recriar sua visão de mundo e sua atuação nele.

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Brincando ou jogando com amigos, a criança desenvolve seu senso de companheirismo, aprende a conviver, ganhando ou perdendo, procurando aprender regras e conseguir uma participação satisfatória. No jogo, ela aprende a aceitar e respeitar regras, esperar sua vez, aceitar o resultado, lidar com frustrações e elevar o nível de motivação.

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Alguns jogos e brincadeiras proporcionam também o desenvolvimento e a organização espacial. A desorganização espacial é um grande problema na vida da criança. Isto dificulta a realização de certas atividades que envolvem o cálculo e a percepção do espaço disponível, calculo de distância e posicionamento de objetos no espaço.

A criança que não tem esta organização espacial geralmente é desastrada, esbarra em tudo, derruba coisas com freqüência, não consegue ordenar os objetos e fatos em sequência lógica de acontecimento. Atuando neste campo, o lúdico proporciona o desenvolvimento da organização espacial, pois a criança aprende desde cedo a se localizar no tempo e no lugar em que está e também em relação aos objetos que está manipulando, através de ações cognitivas nas atividades simbólicas.

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É preciso que os educadores tenham consciência plena de que o lúdico deve fazer parte do mundo da criança, oportunizando situações para que ela possa interagir de forma sistemática com o brinquedo visando sua formação integral.

A criança, através das brincadeiras, está em mediação direta com o mundo. A Educação Infantil tem como principal objetivo contribuir para a aprendizagem e o  desenvolvimento dos aspectos físicos, sócio-emocionais e intelectuais da criança. Torna-se necessário uma infinidade de recursos que posam ser oferecidos para que as crianças possam desenvolver suas capacidades de criar e aprender.

Quando o professor apresenta a brincadeira com a criança, está indo ao mundo dela; a adesão é fácil, ela participa com interesse, rende melhor e estabelece uma relação de confiança com seus colegas e com o educador.

domingo, 8 de julho de 2012

O TURISMO NO RIO GRANDE DO NORTE

FICHAMENTOS


GONÇALVES, Joyce de Souza; SERAFIM, Lia Sales. A política pública de turismo no Rio Grande do Norte: um estudo dos impactos econômicos e socioculturais na grande Natal. In: 30º Encontro da ANPAD. Anais..., 23 a 27 de setembro de 2006. Salvador-BA, Brasil.

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No Rio Grande do Norte, a atividade turística ganhou foco no governo de Aluisio Alves, na década de 1960. Para que essa atividade pudesse se desenvolver, foram necessários investimentos, inicialmente, para a melhoria dos meios de acesso aos atrativos e, posteriormente em infra-estrutura para o receptivo dos turistas. Considerando os aspectos abordados, o presente estudo tem o objetivo verificar os impactos das políticas públicas de turismo para o crescimento econômico e desenvolvimento sócio-cultural da Grande Natal.

A dinâmica do crescimento da atividade turística no Brasil está correlacionada às formas de intervenção do Estado no espaço urbano. O turismo e a política urbana são processos diretamente relacionados, devido a uma característica peculiar dessa atividade que corresponde no deslocamento e estadia de pessoas, afetando assim o espaço urbano. A intervenção estatal se dá a partir da criação da infra-estrutura urbana relativas a políticas de ocupação e uso do solo até o momento em que as ações visam ao incremento da atividade turística.

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No inicio da década de 1980, a crise econômica, que já afetava o país, refletiu na região nordestina. Diante desse quadro, houve a necessidade da tomada de iniciativa por parte do governo para expandir novos espaços e setores econômicos. Com isso, o Estado recriou novas condições, deslocando os benefícios da EMBRATUR para a região Nordeste.

A partir do final da década de 1970, o turismo no Nordeste passou a ocupar um lugar de destaque como vetor de desenvolvimento da região. Esse fato se deu devido à implementação de duas políticas regionais de turismo – “Política de Megaprojetos Turísticos” e o “Programa de Ação para o Desenvolvimento do Turismo no Nordeste – PRODETUR/NE”.

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Na década de 1960, o governo de Aluisio Alves acreditava que a dinamização da economia impulsionava uma maior movimentação de pessoas, demandando, com isso, serviços hoteleiros. Nessa concepção e considerando que o estado não poderia aguardar pela iniciativa privada, o governo estadual desenvolveu um programa de investimentos hoteleiros.  Utilizando-se dos recursos do governo federal, da Aliança para o Progresso, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) e do governo estadual, o poder público viabilizou a implantação dos seguintes hotéis: Hotel Internacional dos Reis Magos; Hotel de Mossoró; Hotel de Caicó; Hotel de Angicos; Hotel Balneário de Olho D'água do Milho.

Em 1971 o governo estadual criou o apoio financeiro e técnico da SUDENE, a Empresa de Promoção e Desenvolvimento do Turismo no Rio Grande do Norte – EMPROTURN -, que constituía uma empresa de economia mista com autonomia administrativa e financeira, cuja competência era de coordenar e dirigir as ações governamentais no âmbito do turismo. Contudo, nota-se, que nos primeiros anos de funcionamento, a atuação do primeiro órgão oficial de turismo no estado ainda ocorreu de forma incipiente.

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No processo de desenvolvimento do turismo no Rio Grande do Norte destacam-se duas forças convergentes: a incorporação constante de novos roteiros e a busca de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, a Política de Megaprojetos e o PRODETUR/RN complementam-se por objetivar o melhor aproveitamento do potencial turístico deste Estado. Ao observar suas repercussões sobre o território devem ser utilizados critérios diferentes. A primeira, consolidada materialmente através de vários equipamentos hoteleiros instalados, enquanto a segunda criou a base para o desenvolvimento do turismo, através do provimento de obras em infra-estrutura básica.

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Ao tratar dos incentivos governamentais para os investimentos na área do turismo, foi citado que o Rio Grande do Norte possui como referencial estratégico o Plano de Desenvolvimento Sustentado do Estado, sendo estruturado num conjunto de ações voltadas para seus problemas e potencialidades. Essas ações são orientadas para uma operação integrada de Conservação e Uso dos Recursos Naturais, Desenvolvimento Humano, Desenvolvimento da Base Científica e Tecnológica, Dinamização e Reestruturação da Base Econômica e, por fim, Reestruturação e Democratização do Estado.

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[...] as ações governamentais para investimentos turísticos no Rio Grande do Norte estão dirigidas para oferecer condições ideais para os investidores. Quanto aos incentivos fiscais foi dito que há concessão de 13% a título de crédito presumindo do ICMS, a ser compensado com o débito resultante da aplicação da alíquota de 17% sobre o faturamento para atividades de fornecimento de refeições e bebidas em bares, restaurantes, hotéis e similares, além da isenção de tributos municipais para empreendimentos turísticos instalados nos municípios de Extremoz, Ceará-Mirim, Currais Novos e São Gonçalo do Amarante.

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O desenvolvimento do turismo no Rio Grande do Norte foi marcado por intervenções estatais, através da implementação de políticas públicas de turismo. Tal intervenção iniciou em virtude da necessidade de prover os principais municípios do estado com infra-estrutura hoteleira. Devido a falta de iniciativa privada, o governo, mesmo agindo de forma tardia, foi o precursor do desenvolvimento do setor, utilizando-se dos recursos do governo federal, da Aliança para o Progresso, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD) e do governo estadual.

Após a implantação das políticas públicas, o turismo assumiu papel de destaque, ficando entre as cinco maiores atividades econômicas do Estado e segundo dados do anuário estatístico da EMBRATUR 2005, o Rio Grande do Norte ocupou, no ano de 2004, a oitava e terceira posição, respectivamente, como portões de entrada de turistas no Brasil e Nordeste.

OLIVEIRA, Francisco Muniz Jales de. Lazer: estratégia da rede hoteleira de Natal/RN. XXIII Encontro Nac. de Eng. de Produção. Anais..., Ouro Preto, MG, Brasil, 21 a 24 de out de 2003.

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O turismo na região Nordeste do Brasil tem crescido consideravelmente diante do cenário nacional. Os governantes e empresários passaram a explorar a extensão litorânea de, aproximadamente, 3.300 Km, onde os recursos naturais tornam-se a matéria-prima principal do setor. A principal estratégia de marketing utilizada para divulgar o Nordeste é a mídia, apresentando as belezas naturais oferecidas pela região.

Dentre os projetos urbano-turísticos, destacam-se nas décadas de 80 e 90, grandes investimentos como a Rota do Sol no Rio Grande do Norte, Cabo Branco na Paraíba, Costa Dourada em Alagoas/Pernambuco e a Linha Verde na Bahia/Sergipe.

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A indústria do turismo é hoje uma das atividades econômicas mais importantes do mundo em se tratando de movimentação financeira (COELHO, 1994). As pessoas estão cada vez mais preocupadas em melhorar a qualidade de vida buscando momentos de lazer, descanso, diversão, conhecer lugares novos, viver aventuras diferentes ou até mesmo sair da rotina.

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O turismo é uma atividade que tem uma grande inter-relação com os outros segmentos da economia, principalmente as atrações de lazer que podem ser oferecidas tanto pelo local de hospedagem quanto pelo poder público, com o objetivo de atrair mais clientes. A inserção da população nativa no processo é uma forma de socializar os benefícios econômicos obtidos com a atividade. Isso pode ser feito através do apoio aos pequenos negócios e às produções artesanais (queijos, geleias); com a inclusão no roteiro vendido aos turistas.

A melhoria da infra-estrutura existente nas regiões-destino, através de obras na rede de transportes, construção de redes de esgoto, construção de aeroportos, melhoria nos serviços de abastecimento de água e limpeza pública, necessárias para o desenvolvimento do turismo, constituirá um benefício para a atividade empresarial e para a comunidade em geral.


ROMÃO JÚNIOR, Manoel Cícero; TEIXEIRA, Maria do Socorro Gondim. Turismo religioso: Uma alternativa econômica para municípios do Seridó-RN. II ENABER, 2009. Anais...

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O Rio Grande do Norte ainda não detém uma repercussão muito forte em nível nacional, no que tange ao turismo religioso. As festas religiosas desse Estado ficam restritas ao fluxo intermunicipal, como as chamadas festas das padroeiras. Esses eventos são bastante observados no interior do Estado do Rio Grande do Norte, em especial, na região do Seridó, onde, a religiosidade sempre foi um fator de extrema importância na vida das famílias seridoenses. Para reforçar ainda mais essa percepção, basta que se perceba o quanto se ritualiza Santana (Padroeira do Seridó e de alguns municípios da região).

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O Rio Grande do Norte, além de suas maravilhosas praias, também oferece um roteiro cultural muito interessante, especialmente no interior, uma vez que é um estado rico em história e monumentos tombados pelo patrimônio histórico. Essa economia está concentrada não só na parte litorânea do estado, mas está atuando nos municípios vizinhos e interioranos, explorando outros setores, de modo a evitar impactos que prejudiquem a economia local. A busca por alternativas pode ser explicada pela falta de infra-estrutura (hotéis, estradas, transportes). As comunidades buscam nos recursos próprios explorar alternativas que gerem condições para o desenvolvimento, assim como um meio econômico que venha a beneficiar a todos.

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No Seridó, a natureza, inóspita em alguns períodos do ano, mas extremamente pródiga em outros, criava condições para que algumas dessas culturas encontrassem excelentes condições para o seu desenvolvimento. Por ser uma região que sofre bastante com as adversidades climáticas, as comunidades buscam através da criatividade e disposição, alternativas de atividades geradoras de ocupação e renda, minimizando os efeitos da seca e constituindo-se, também, em importantes fatores para o processo de desenvolvimento.

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A crise que assola a Região do Seridó é muito grave e exige que sejam encontradas novas alternativas de proporcionar à população condições dignas de vida sem causar impacto ambiental. Assim, o turismo desponta uma atividade perfeitamente adequada ao desenvolvimento humano e preservação ambiental. O turismo pode fomentar o desenvolvimento de produtos e serviços que utilizem de forma sustentável os recursos naturais. Tudo isto pelo incentivo ao desenvolvimento das atividades econômicas existentes, revitalizadas pela nova roupagem recebida quando associadas ao turismo.

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[...] o artesanato, além dos bordados, produtos alimentares como licores, doces, queijos e carne-de-sol, produtos de cerâmica, de palha, redes de dormir, são facilmente comercializados por um componente de trabalho de marketing que define a marca Seridó. Além do desenvolvimento da hotelaria, outra atividade em crescimento e com perspectivas de expansão, restaurantes, pousadas, ou seja, toda infra-estrutura necessária para que o visitante ou turista se sinta estimulado em voltar no ano seguinte, constituindo-se em oportunidade de conhecimento e aprendizagem. Mas, é necessário que se tenham serviços de qualidade, pois sem qualificação, o destino turístico não se mantém por muito tempo.

No Seridó, a peregrinação em festas religiosas é interdependente das mais diversas atividades e serviços, lazer, alimentação, alojamento, comércio, etc. Com sua Rota de Fé e Romarias, volta-se principalmente para as festas das padroeiras e a visita do melhor dos museus de artes sacras de imagens e oratórios do Rio Grande do Norte.

O Seridó constitui uma região peculiar no Estado do Rio Grande do Norte, com uma identidade regional pronunciada no segmento religioso. A interpretação religiosa colaborou para a construção da identidade dos municípios da região. As cidades seridoenses tiveram início com a construção de igrejas imponentes, erguidas nos mais altos sítios e, que ainda hoje são locais de atratividade e visitação.

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Na região do Seridó, o sentimento de religiosidade se expressa nos festejos e ritos que acontecem no decorrer do ano. As principais manifestações conhecidas naquela região são as festas das padroeiras e romarias, que atraem uma numerosa população flutuante, constituindo uma espécie de turismo religioso. Responsável pela dinamização das economias locais, os atos de fé, juntam-se à outras atividades econômicas como: bares, clubes, feiras de artesanato e comidas típicas, turismo etc.

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Na região seridoense marcada pela religiosidade, os atrativos turísticos religiosos são inúmeros, como: santuários de peregrinação, espaços religiosos de grande significado histórico-culturais encontros e celebrações de caráter religioso, festas e comemorações em dias específicos, espetáculos artísticos de cunho religioso e roteiros de fé.

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Um dos principais eventos religiosos que acontecem na região seridoense e conhecido em todo estado, é a Festa da Padroeira Nossa Senhora de Santana, que acontece no mês de Julho nos municípios de Caicó e Currais Novos, principais centros comerciais da região.

Caicó conta com um conjunto de igrejas, entre elas: a igreja de Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora do Rosário dos pretos, Nossa Senhora de Santana, entre outras, suas festas, em especial a da Padroeira Santana é um dos principais eventos do município e da região, atraindo um enorme fluxo de visitantes.

A crise no setor agrícola e industrial nas décadas de 80 e 90 na região seridoense, fez com que o setor de comércio e serviços ganhasse destaque sendo alavancado pela atividade turística, em particular o segmento religioso. O setor informal é o que mais tem crescido, principalmente durante as celebrações dos festejos, devido às inúmeras atividades de cunho não religioso que são desenvolvidas. Sem falar do comércio ambulante, os camelôs e barraqueiros que em sua maioria são de outras cidades e encontram ali uma fonte de emprego temporário. Muitos deles acompanham um roteiro de festas em outras cidades.

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Em Caicó, os festejos de Santana é marcado por uma série de eventos que faz com que o turista desfrute de bons momentos e leve sempre lembranças e recordações para as cidades de origem. São realizados leilões, forrós, festas, além da Feira de Artes Manuais do Seridó - FAMUSE, feira essa em que é exposta a riqueza do artesanato caicoense rico em bordados, redes, pinturas, peças de cerâmica, confecções e produtos de culinária e, a famosa Feirinha de Santana em que, o número de pessoas que transita pela cidade se multiplica lotando hotéis, pousadas, residências e outros estabelecimentos. Sem esquecer que o turista que visita Caicó no período de julho, conta com uma infra-estrutura, necessária a sua estadia, como serviços de transportes, restaurantes, hotelaria, cultura e diversão, clubes, etc.

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Outro festejo de grande importância para a economia de Caicó é o de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, conhecida como a Festa do Rosário que ocorre no mês de outubro, marcada pela tradição e cultura negra.

[...] observa-se que tanto para o município de Caicó, quanto o de Currais Novos a economia local é bastante influenciada pelo segmento do turismo religioso.


GERMANO, Elys Larissa Maia; BEM, Kettrin Couto Farias. Turismo de eventos desenvolvimento da cidade de Caicó. Revista Global Tourism, v. 5, n. 1, mai/2009, p. 47-55.

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No Nordeste temos as grandes festas juninas, que atraem milhares de pessoas, todas motivadas pela diversão e curiosidade em conhecer um pouco das tradições nordestinas. Especificamente no Rio Grande do Norte, alem das festas juninas, tem as grandes vaquejadas, que também atrai milhares de turistas, visando conhecer a pratica desse esporte e com isso a economia local e bastante incrementada neste instante.

Já no interior do Rio Grande do Norte, encontram-se as grandes festas religiosas, que seduzem um grande publico motivado pela fé e religiosidade, como e o caso da cidade de Caicó, que sedia vários eventos durante o ano sendo que os mais conhecidos são realizados nos meses de fevereiro, julho e outubro.

Outro evento de grande porte no mês de Julho realizado em Caicó e a festa de Santana, englobando um grande numero de devotos de todo o pais. Durante os festejos de Santana são realizadas procissões, novenas, missas e a feirinha de comidas típicas, que sempre e realizada na quinta-feira. E o dia mais esperado da festa, pois pessoas de todo pais vem especialmente para a feirinha, para encontrar-se com parentes e amigos queridos, nesse dia, de acordo com a Revista o Seridoense, a população de Caicó cresce em aproximadamente 60%, ao qual segue ate o final da festa, temos também a realização de leiloes, festas dos doces, cavalgada e apresentações artistico-culturais e ainda a FAMUSE, que e uma feira de artesanato local, no entanto só se inicia no dia da feirinha seguindo ate o domingo.

A Feira de Artesanato dos Municípios do Seridó (FAMUSE) oferece grande oportunidade aos artistas locais, uma vez que os próprios tem a chance de mostrar sua em bordados, artesanatos e roupas para as pessoas de muitas regiões diferentes, divulgando assim seu trabalho e com isso obtendo certos lucros.

São dez dias de festejos na cidade, a festa sempre e iniciada na penúltima semana do mês de Julho, sempre feira, acontece a procissão de quando uma multidão sai as ruas conduzindo o estandarte de Santana, e a imagem principal são sai no ultimo dia, na procissão de encerramento.

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No mês de outubro, geralmente na penúltima semana, dar-se inicio a Festa do Rosário, que e iniciada com uma procissão de abertura, onde leva um grande contingente de pessoas as ruas da cidade que demonstram sua fé e respectivamente sua religiosidade ou ate em agradecimento por alguma graça alcançada, assim como a elevação do estandarte.

A cidade de Caicó possui um calendário de eventos, que pode ser descrito da seguinte forma: no mês de fevereiro e realizado o grande Carnaval, em julho a Festa de Santana, e em outubro a Festa do Rosário, vale salientar que esses eventos aqui citados são os principais.

Um exemplo de um evento realizado na cidade de Caicó, que se for mais bem planejado passara a ter as mesmas proporções de outros eventos considerados de grande porte para a cidade, que são o Carnaval, Festa de Santana e a Festa do Rosário, e o festival ‘Saboreando’, realizado no mês de setembro, que já contou com 3 edições e é promovido pelo Sistema Brasileiro de Apoio as Pequenas e Micro Empresas (SEBRAE) em parceria com donos de restaurantes da região.

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Porem, o calendário não se restringe somente a esses eventos, temos também em épocas não definidas apresentações de teatros com renomados grupos culturais da cidade, espetáculos de danças e outras eventualidades menores, como exposições de artes na Casa da encontros de danças.  

[...] essa atividade gera inúmeros benefícios econômicos por meio da geração de empregos e renda diretos e indiretos a comunidade, como também auxilia a melhoria da infra-estrutura como um todo da cidade, pois essa atividade se bem planejada passa a ser um segmento do turismo, onde acarretara a vinda de visitantes para a cidade de Caicó que ocasionara a melhoria tanto no atendimento como na própria estrutura dos estabelecimentos de apoio ao turista.

[...] a cidade possui capacidade e criatividade suficiente para promover esses eventos, basta que os órgãos competentes valorizem esse trabalho, não visando apenas como um momento de lazer para a sociedade, mas como uma atividade geradora de desenvolvimento sócio-econômico, uma vez que a sociedade sente falta desses eventos, e isso se torna um fator importante para o inicio e o desenvolvimento da atividade eventos já que o interesse da comunidade e o importante indutor para o progresso de qualquer trabalho.

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[...] os eventos realizados na cidade de Caicó, e percebível que os mesmos possuem grande importância para o desenvolvimento econômico da localidade e que se deve investir no segmento turismo de eventos, uma vez que possibilita a inclusão social, devido a participação em massa da população, aumenta a arrecadação de impostos e tributos, atrai um maior numero de visitantes na cidade, e muitos outros setores ligados ao turismo, sejam diretos ou indiretos também ganham com a promoção e desenvolvimentos do turismo de eventos, como exemplo, tem: os hotéis, as pousadas, os restaurantes e bares, comerciantes, transportes, dentre outros.


ALENCAR JÚNIOR, José Sydrião. Perfil econômico do Rio Grande do Norte. Fortaleza: Banco do Nordeste, 2002.

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O Estado dispõe de uma estrutura turística integrada e em processo de modernização a estratégia básica do governo para o setor é o planejamento integrado das ações para a manutenção dos recursos naturais, em especial as dunas do litoral, os patrimônios turísticos, ecológicos e preservando a cultura local.

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Esse é setor em franca expansão no Estado, graças às suas potencialidades naturais e climáticas. Como a costa de 40km de extensão, de praias belas e selvagens, e a presença de mais de 2.000ha de dunas fixas e móveis ideais para passeios de bugres. A temperatura atinge a média de 27°C e a umidade relativa, 76%; a insolação de 10 horas/dia durante todo o ano e a presença de ventos alísios com velocidade de 4,3 m/s favorecem a prática de esportes náuticos.

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No interior, a Costa Branca, na região de Macau, Areia Branca e Grossos, inclui possibilidade de visitação às salinas e várias praias. A cidade de Mossoró sedia o parque hidrotermal do Hotel Termas, com piscinas quentes, e oferece opções de visitação ao maior campo petrolífero terrestre do Brasil e ao Museu do Cangaço. Outras opções turísticas são os sítios arqueológicos com pinturas rupestres, fósseis e testemunhos de civilizações mais antigas, destacando-se o sítio arqueológico do Apodi, o qual já dispõe de ampla infra-estrutura de visitação.

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A infra-estrutura de transporte é relativamente boa, o que facilita o desenvolvimento do turismo. Encontram-se em implantação, os projetos de fortalecimento da estrutura viária, abastecimento d’água nas praias turísticas, de esgotamento sanitário, de recuperação ambiental, e recuperação do Parque das Dunas.

MARANHÃO, Christiano H. S. O SEBRAE/RN no fomento do turismo potiguar: o caso do roteiro Seridó. Revista Global Tourism, v. 5, n. 2, dez/2009, p. 12-20.

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É notório que o turismo contemporâneo chama a atenção de muitos governos, em especial os de países em desenvolvimento, devido ao fato da atividade gerar alguns elementos vitais para suas economias. O turismo é visto, então, como uma fonte geradora de divisas e uma alternativa viável para o suporte econômico na atualidade, obtendo, pois, uma importância crescente no incremento das receitas desses países e em especial nas localidades mais pobres no estado do Rio Grande do Norte, onde o turismo de sol e mar é tipologia marcante devido as suas características físicas, a necessidade de diversificar o produto ofertado é situação sine qua non, afim de não estacionar na busca por novas demandas, evitando a perda de fluxo turístico para estados vizinhos, que fornecem serviços e produtos similares. Descentralizar da capital Natal, principal porta de entrada de fluxo turístico no estado, além de fazer o fomento do turismo, entrar em consonância com os processos competitivos globais, distribui melhor o desenvolvimento peculiar da atividade turística para o interior do estado norte-rio-grandense.

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O pólo Seridó, por onde veio o fomento do Roteiro Seridó, abrange uma região situada no centro-sul do estado do Rio Grande do composta de 24 municípios que são distribuídos em três Zonas Homogêneas (Serras Centrais, Currais Novos e Caicó). Ocupa uma área de 12.965 km², apresentando uma população de aproximadamente 300 mil habitantes, equivalente a 11% de toda a população do estado potiguar. Criado oficialmente no ano de 2005, O Pólo Turístico da Região do Seridó é formado por 17 municípios. E na sua gênese, é possível localizar em sete de suas cidades, o turismo apresentando formas de desenvolvimento, nas quais se concentram as ações que objetivam favorecer sistematicamente o seu desenvolvimento sustentável.

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O Seridó ainda se configura com diferentes tipologias de relevos, com importantes serras, vales, açudes e lagoas, com solos pedregosos e vegetação predominante da caatinga. Apresentando também um clima predominante quente em todo o ano e com uma média pluviométrica de 550 mm/ano, com chuvas concentradas nos primeiros meses do ano.

O Seridó Potiguar teve sua economia desenvolvida com base na cultura de algodão, alcançando períodos de grande destaque. A produção mineral teve também momentos de grande desenvolvimento, especialmente na produção da scheelita no município de Currais Novos. Na atualidade, conta com uma estrutura produtiva voltada para a pecuária, com tradição na produção bovina e caprina, criando oportunidades na agroindústria (laticínios e derivados).

A produção de cerâmica é vista também, com excelente oportunidade de desenvolvimento da região na atualidade, onde apresenta cerca de 80 estabelecimentos que se dedicam à produção de telhas e tijolos, em uma produção anual com cerca de 555 mil milheiros desses dois produtos, e somado a isto, conta com a perspectiva de receber um gasoduto, em fusão do processo de desmatamento provocado pelo sistema de energia de carvão mineral que abastece o setor.

A Região do Seridó oferece por fim, uma grande diversidade de atrativos turísticos em todos os municípios que a compõem. Apresenta fortes indícios para o desenvolvimento do ecoturismo, turismo de lazer, turismo cultural e turismo sustentável.

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O Roteiro Seridó que teve inicio em abril de 2004, configurando modelo inovador de desenvolvimento sustentável na região, abrangendo [...] os municípios de Cerro Corá, Currais Novos, Acari, Carnaúba dos Dantas, Parelhas, Jardim do Seridó, Lagoa nova e Caicó; apresentando peculiaridades diversas, onde se podem aplicar na região as mais variadas modalidades que a atividade turística induz: ecoturismo ou turismo de natureza, de aventura, cultural, religioso ou místico, gastronômico, de eventos ou negócios e rural.

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O fato é que o turismo vem se expandindo na região. O turismo de eventos ganha forma principalmente nas festas religiosas, nos eventos culturais e esportivos. O ecoturismo tem potencial para crescer, devendo ser praticado em uma natureza preservada. O turismo de aventuras tem nas serras e represas seridoenses sua matéria prima principal, em espaços pouco explorados turisticamente. O roteiro Seridó, portanto, trouxe inúmeras opções que aumentam o poder de captação de clientes e por conseqüência, torna o destino potiguar bem equipado no forte mercado competitivo.

MORAIS, Ione Rodrigues Diniz; ARAÚJO, Marcos Antônio Alves de. Territorialidades e sociabilidades na feira livre da cidade de Caicó (RN). Caminhos de Geografia, 23 (17) 244 - 249, fev/2006.

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Atualmente a cidade de Caicó se configura como o centro regional da microrregião supracitada, polarizando toda essa unidade espacial e algumas cartografias urbanas das regiões adjacentes, convergindo atividades atinentes aos setores de saúde, educação, comércio e prestação de serviços, e movimentando grandes contingentes populacionais. Esses serviços são encontrados com mais freqüência no próprio centro do tecido urbano, onde este aglutina formas e funções que vão desde os serviços bancários aos serviços odontológicos, supermercados, clínicas, hospital, farmácias, sede da previdência social, fórum, cartórios, serviços de hotelaria e pousada, bares, restaurantes, lojas de calçados e confecções, além de outros tipos de comércio e serviços. O centro de Caicó, portanto, é dinâmico e apresenta um ritmo intenso e contínuo de passantes e veículos, revelando o poder concentrador desse espaço em detrimento de outros territórios da cidade.

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[...] a feira livre de Caicó, caracterizada como uma rugosidade flexível, ainda permanece sendo o espaço preferencial de uma boa parte de caicoenses e seridoenses no desenvolvimento e realização de atividades comerciais e sociais, resistindo a expansão das inúmeras superfícies de varejo.

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Embora a feira de Caicó esteja perpassada por um processo de diminuição de representatividade, esta ainda se evidencia como lugar dos encontros, das tradições, das conversas, das sociabilidades, das compras, vendas e permutas, enfim das múltiplas territorialidades, sejam econômicas ou culturais, tecidas pelos caicoenses em consonância com outros atores sociais das cidades e plagas adjacentes. Nesse sentido, constata-se que todos os sábados, em dia de feira, a dinâmica do espaço central de Caicó aumenta consideravelmente, com incontáveis agentes sociais transitando pelas ruas e avenidas sinuosas da cidade, estabelecendo as tramas de territorialidades e, conseqüentemente, de sociabilidades no dia da feira livre.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

A CRIAÇÃO DOS NOVOS MUNICÍPIOS:
Os ‘pró’ e os ‘contras’

José Ozildo dos Santos

Nos últimos anos, o tema emancipação dos municipais voltou ao foco das discussões políticas,  acadêmicas, institucionais e administrativas no Brasil.
Basicamente duas são as correntes que norteiam estas discussões. A primeira, defendida por especialistas em economia, e, geralmente, vinculados às administrações públicas federais e estaduais, com visão essencialmente administrativa e financeira, posicionando-se contrários  à criação de novos municípios no país, argumentando que o recente processo de emancipações criou um excesso de municípios, gerando, unicamente, aumento das despesas com os serviços das administrações municipais tanto no poder executivo quanto no legislativo.
Os técnicos do SEPURB (Seminário de Pesquisas em Engenharia e Planejamento Urbano) criticam a criação de novos municípios, em especial os pequenos, justificando sua inviabilidade econômica, explicando que “o argumento encontra eco no perfil demográfico destes municípios cujo padrão é de cidades de pequeno porte. A divisão espacial e as características populacionais dos novos municípios, 85,86% têm populações menores que 20 mil habitantes, sendo que 59,01% contam com populações de menos de 5 mil habitantes que não contariam com escala suficiente para o bom funcionamento dos seus mercados, quer para a organização da produção, quer do consumo. O fato se torna mais grave se considerarmos apenas a população urbana desses municípios”.
Na segunda corrente, encontramos os defensores das emancipações. Estes são pessoas que afirmam ser a descentralização administrativa a principal virtude desse processo, aproximando mais o poder decisório junto aos membros das comunidades. E, consequentemente, promovendo a melhoria na distribuição das receitas públicas, ao mesmo tempo em que facilita o acesso aos serviços públicos urbanos a um maior número de pessoas.
Nesta linha, encontra-se o renomado professor Nestor Goulart Reis Filho que cita: “o poder local – entendido como o dos pequenos municípios – é o que oferece melhores condições para a organização de uma série de serviços, pela proximidade e contato direto com os cidadãos, principalmente os de pequena renda”.
Após a criação dos novos municípios, conforme o IPEA, o Brasil melhorou sua posição no índice de Desenvolvimento Humano Municipal, passando de 0,709, em 1991, para 0,764, em 2000. A mudança demonstra avanços nas três variáveis que compõem o IDH-M.
Em comparação com 1991 (antes da instalação da maioria dos novos municípios), o índice aumentou em todos os estados e em quase todos os municípios brasileiros.
No ano 2000, do total de 5.507 municípios, 23 foram classificados de baixo desenvolvimento, 4.910 de médio e 574 de alto desenvolvimento humano. Na classificação internacional, o Brasil continua sendo um país de médio desenvolvimento humano.
A corrente favorável vislumbra as emancipações como forma de promover melhor distribuição de renda, através da obtenção dos repasses de recursos tributários da união e estados, chegando a um número maior de membros da população, permitindo o fomento de maior dinâmica econômica local e, como consequência, o maior e melhor investimento em obras e serviços públicos, diminuindo as desigualdades sociais e entre áreas urbanas distantes.
A outra corrente formula críticas à dinâmica econômica e administrativa dos novos municípios criados justificando que são muito pequenos, pouco contribuem com a arrecadação própria, ficando somente dependentes dos recursos de transferências constitucionais, obtendo assim renda per capita muito superior aos demais municípios, em especial aos médios, além de contribuir com o aumento dos custos públicos.
No entanto, alguns municípios emancipados chegaram a multiplicar, em poucos anos de existência, por dezenas de vezes seu PIB; outros (poucos) lograram insucessos, por razões especiais, como a do isolamento geográfico e a do fechamento de empreendimentos importantes. Cabe salientar que, não obstante tais infortúnios, as comunidades estão muito satisfeitas com os progressos obtidos, com destaque para o campo social e os investimentos em infraestrutura urbana.
No tocante ao nível da renda per capita auferida, em especial pelos pequenos municípios, proveniente do sistema de partilha dos recursos públicos através dos repasses do FPM e FPE, é inegável que por este processo de partição de tributos os pequenos municípios têm levado vantagem em relação aos demais.

domingo, 3 de junho de 2012

O QUE É EDUCAÇÃO
(SÍNTESE)

José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
IDENTIFICAÇÃO DA OBRA
BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. São Paulo: Brasiliense, 2000.

CONTEÚDO
A educação é uma prática social, cujo fim é o desenvolvimento da pessoa humana. Ela é o resultado da consciência viva duma norma que rege uma comunidade humana. E por isso, sua evolução depende da presença de fatores sociais determinantes, bem como do desenvolvimento destes e de suas transformações.
No entanto, não se pode confundir educação com cultura ou com sociedade. Entretanto, deve-se reconhecer que existe uma interligação entre estes termos. Na cultura, a educação é vista como uma prática social de reprodução de categorias de saber através da formação de tipos de sujeitos educados.
Por outro lado, no meio social, ela é um agente de mudanças, pois quando vem associada à idéia de adaptação para alguma coisa externa à pessoa, permite que esta se transforme. É, pois, esta transformação que a educação proporciona ao ser humano, que capacita-o para a vida, para o exercício de uma profissão e de sua própria cidadania.
Como processo de aprofundamento, a educação possui um caráter permanente, que produz múltiplos benefícios. No entanto, para usufruir destes benefícios, o indivíduo deve constantemente reciclar e aperfeiçoar seus conhecimentos. O mundo vive em constantes mudanças e tais mudanças, alteram conceitos e modos, impondo novas necessidades de adaptação. Tais necessidades são supridas pelo processo educativo. E por isso, dele o ser humano não deve se distanciar.
Para o autor, essa capacidade de mudança proporcionada pelo processo educativo é revestida por um caráter social, que permite modificar a própria sociedade. Brandão afirma que pessoas educadas são agentes de mudança e promotores do desenvolvimento. Por isso, a educação deve ser pensada e programada.
No Brasil, o triângulo educação-ensino-escola ainda deixa a deseja: faltam escolas e o ensino oferecido não é de boa qualidade. E uma das causas desse fracasso é a forma como o referido processo é elaborado e conduzido.
Para o autor, em nosso país, o Estado assume a responsabilidade de distribuição da educação em nome de todos, “mas sequer as pessoas a quem a educação serve, em princípio, são de algum modo consultadas sobre como ela deveria ser. A educação que chega à favela, chega pronta na escola, no livro e na lição”.
E isso precisa mudar. Pois, se assim continuar, o processo educativo perderá sua essência e ao invés de produzir agentes de mudanças, produzirá sujeitos desprovidos de qualificação social, cultural e educacional, submissos e incapazes de mudarem o mundo que existe a sua volta.


CONCLUSÃO
A educação como processo, deve incluir em seus conteúdos e em sua proposta pedagógica, o desenvolvimento da consciência dos direitos humanos e dos deveres sociais. Pois, ela deve ser uma ação conscientizadora e emancipadora, que garanta o acesso à cidadania e à democracia.
Deve-se registrar que somente através de um processo educativo voltado para o desenvolvimento integral do ser humano, incluindo ações de desenvolvimento pessoal e social, pode-se melhor obter a capacitação do individuo para o exercício da cidadania.
Para o autor, a educação é a arma mais eficaz contra a pobreza, pois nenhum país conseguiu a erradicação desse mal, sem a educação. E mais: a educação deve chegar aos excluídos; pois, quanto melhor é o aprendizado melhor será a qualidade de vida.

Desta forma, pela leitura do presente texto, pode-se concluir que o acesso e a qualidade da educação são determinantes para o êxito do indivíduo. Contudo, como processo de mudança, ela deve ser contínua, ou seja, por toda a vida do indivíduo, independentemente do seu nível de conhecimento, idade, capacidade ou nível profissional.